Vamos lá:
1. Faixas de Luz
A luz é composta por radiações de diferentes comprimentos de onda. Cada comprimento de onda possui sua cor própria. Dessas faixas de cores, somente uma pequena parcela pode ser vista pelo olho humano. A unidade utilizada para o comprimento de onda é o nanometro (nm). O espectro visível ao ser humano vai da faixa de 380 nm até 780 nm.
Abaixo de 380 nm fala-se de luz ultravioleta, que tem efeito biológico importante. Acima de 800 nm fala-se de luz infravermelha, que geralmente é associada ao calor. Para os aquaristas, é importante ter conhecimento sobre as faixas de luz, principalmente sobre a luz ultravioleta.
A luz ultravioleta possui comprimentos de onda de 100 nm até 380 nm e é dividida em três faixas:
UV-A - faixa próxima da luz violeta, de 315 até 380 nm. Essa faixa é muito importante para os seres autótrofos (seres que realizam fotossíntese).
UV-B - faixa de 280 a 315 nm. A luz UV-B é aquela que causa queimadura em nós, seres humanos, quando ficamos expostos a ela por algum tempo. Uma dose alta dessa radiação danifica tecidos vivos. Por isso, na escolha do tipo de iluminação para o aquário, deve-se ter atenção especial.
UV-C - vai da faixa de 100 nm até 280 nm. É extremamente prejudicial aos tecidos vivos. Existem vários tipos de iluminação para o aquário que emitem radiação nessa faixa, por isso vem com filtros de luz acoplados que não permitem a passagem desse tipo de radiação.
As faixas, as quais a fonte de iluminação escolhida emite, têm influência direta nos seres autótrofos do aquário, ou seja, as algas. As algas mais importantes (e desejáveis) para um aquário são vários tipos de algas calcárias e as zooxantelas. As zooxantelas vivem na endoderme dos corais (e outros invertebrados). Como esses animais dependem em grande parte dessas algas, é importante oferecer condições favoráveis para o seu desenvolvimento.
As zooxantelas absorvem luz na faixa de 350 nm a 750 nm. Isso significa que absorvem uma parte da radiação UV-A (próxima da luz visível). Devemos oferecer luz que supre essa necessidade.
Nos trópicos, grande parte de radiação UV-A e UV-B chegam até os corais. Para se protegerem, os corais e as zooxantelas possuem pigmentos que absorvem esse tipo de radiação (não utilizados para a fotossíntese) - é como se fosse um “filtro solar”- da mesma forma que nós nos protegemos quando nos expomos ao sol. Os tipos de corais que habitam as regiões menos profundas são mais expostos ao sol e por isso possuem mais pigmentos de proteção, o que também lhes confere as mais belas colorações entre os tipos de corais. Corais que habitam regiões mais profundas possuem quantidades menores desses pigmentos. Para a escolha do tipo de iluminação, deve-se ter em mente quais os tipos de animais vão ser colocados no aquário. Se animais de regiões rasas forem sua escolha (os mais bonitos), a necessidade de forte iluminação é maior.
2. Dados técnicos das lâmpadas
Entre as informações técnicas dos fabricantes nas embalagens das lâmpadas temos as seguintes:
- Temperatura da Cor : Medida em Kelvin (K). Quanto maior o número, mais azul (ou mais fria) é a luz. Significa que predominam as radiações violeta, azul e verde. Se o número for baixo, a luz é considerada “quente”, com predominância de laranja e vermelho. Na embalagem, os fabricantes geralmente indicam o espectro (cores) de emissão. Lâmpadas de 6.000K ou acima são consideradas boas para o aquário marinho.
- Índice Ra : É um fator que indica a qualidade da propagação da luz de uma fonte luminosa. A escala vai de 0 a 100. Para a iluminação de um aquário, lâmpadas com Ra de 80 ou maior devem ser escolhidas. A energia elétrica é convertida em radiação luminosa e uma parte em calor. Um Ra de 80 significa que 80% da energia é "transformada" em radiação e 20% é perdido como calor...
- Potência : Medida em Watts (W).
- Lumen: É a medida de fluxo luminoso. Quanto maior, melhor é a fonte de luz. Nas regiões tropicais, a incidência de luz direta do sol chega a valores acima de 60.000 lm (lumens). As fontes de luz que encontramos disponíveis para aquário chegam a valores bem abaixo disso.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lumen_(unidade)
3. Quantas lâmpadas utilizar?
Existem algumas regras gerais para determinação do tipo de lâmpadas a ser utilizada no aquário. Essas regras devem ser usadas como uma aproximação grosseira e não como um valor exato a ser utilizado. As duas regras devem ser usadas simultaneamente:
Regra 1:
Utilizar 1 Watt por litro. Para SPS´s, quanto maior esse valor, melhor.
Exemplo:
Aquário 120 x 60 x 60 = 432 litros
Opção 1 : 2 HQI´s 150 W + 3 T5 actinica 54 W = 462 W ==>
Quantidade em Watts/litro ==> 462/432 = 1,06 Watts/litro
Opção 2 : 2 HQI´s 250W + 4 T5 actinica 54 W = 716 W
Quantidade em Watts/litro ==> 716/432 = 1,65 Watts/litro
Opção 3 : 8 T5 54 Watts = 432 Watts
Quantidade em Watts/litro ==> 432/432 = 1,0 Watts/litro
Regra 2:
Profundidade do aquário:
Até 30 cm - HQI 70 W
Até 45 cm - HQI 150 W
Até 60 cm - HQI 250 W e T5
Acima 60 cm - HQI 400W
Pela regra 2, vemos que a opção 1 seria descartada, pois o aquário do exemplo tem 60 cm.
Na prática, se a opção 1 for utilizada, o aquarista terá que colocar os animais mais exigentes quanto í luz na parte superior do aquário, deixando os menos exigentes para o substrato. Na configuração da opção 1 seria difícil, por exemplo, manter tridacnas no substrato.
4. Tipos de Iluminação para aquário
Não tenho a pretensão de esgotar o assunto nem de abordar todos os tipos de iluminação existentes. O objetivo é expor os principais sistemas utilizados atualmente.
a) Lâmpadas T5:
São as lâmpadas tipo fluorescentes com reatores especiais. A denominação T vem de "tubular lamps" e o 5 vem do diâmetro da lâmpada, que possui 5/8" (cinco oitavos de polegada), ou seja, 15,9 mm. São encontradas em diferentes potencias. Com elas pode-se obter boa qualidade de iluminação para o aquário. No entanto, para um melhor efeito são necessárias combinações de T5 brancas com lâmpadas actnicas (azuis).
Essas lâmpadas devem sempre ser utilizadas com calhas refletoras para um melhor aproveitamento.
A potência das lâmpadas fluorescentes indicam o seu tamanho (24 W, 39 W, 54 W e 80 W).
Potência - comprimento do tubo
24 W - 54,9 cm
39 W - 84,9 cm
54 W - 114,9 cm
80 W - 149,9 cm
Abaixo temos exemplos de faixas de luz emitidas por lâmpadas T5:
T5 Midday Giesemann:

T5 Pure actinic Giesemann:

As T5 tem vantagem de aquecerem menos e com isso economizam energia elétrica, principalmente por evitar a utilização excessiva do chiller.
As desvantagens das T5 são ainda seu preço elevado.
O tempo de vida útil é de 6000 a 8000 horas aproximadamente, dependendo do fabricante.
Existem belos aquários de SPS´s utilizando somente lâmpadas T5.
b) Lâmpadas HQI:
O tipo de iluminação que atualmente tem se mostrado mais próximo do ideal custo x benefício são as lâmpadas HQI. Possuem índice Ra de até 93 e valores entre 6.000 e 20.000 K. As lâmpadas HQI possuem radiação UV nas três faixas (UV-A, UV-B e UV-C), por isso, possuem filtro para absorver a radiação UV-C e parte da UV-B. Essas lâmpadas nunca devem ser utilizadas sem filtro, a não ser que o fabricante informe que o bulbo em que são construídas já filtram radiação ultravioleta (UV shield), pois luz HQI não filtrada é nociva para o aquário e para o aquarista!.
Existem lâmpadas HQI de 70W, 150 W, 250 W, 400 W e 1.000W.
As HQI´s necessitam de reatores próprios - que geralmente aquecem bastante - e também de refletores.
Elas podem ser tipo faca (double ended) ou tipo rosca.
Aqui um exemplo do espectro de luz emitido pela HQI de 14.000K da Giesemann:

As HQI’s devem ser instaladas sempre a cerca de 15 a 25 cm da superfície da água, pois esquentam muito. O ideal é fixá-las em suportes na lateral do aquário ou pendurá-las diretamente no teto, deixando o móvel do aquário sem tampa.
Da mesma forma que as lâmpadas T5, as HQI’s também devem ser utilizadas em combinação com as lâmpadas T5 actínicas.
c) Lâmpadas compactas (PC)
As lâmpadas PC – Power Compact – é um tipo de lâmpada fluorescente que pode ser utilizado tanto para sistemas de aquário de água doce e água salgada. Apresentam custo baixo e é uma solução de baixo consumo de energia elétrica. Essas lâmpadas são disponíveis em uma ampla variedade de cores. Devem ser substituídas a cada 9-12 meses. São utilizadas para aquários somente de peixes ou para aquário de corais que requeiram iluminação de baixa a moderada (corais moles e alguns LPS, se forem colocados bem próximos í fonte luminosa).

A decisão sobre qual tipo de iluminação é uma das mais importantes. Leia bastante sobre os tipos de animais, escolha os que você gostaria de ter, converse com vários aquaristas e lojistas, consulte sites da Internet e depois decida.
5.Dicas sobre Iluminação
1.) Para aproveitar ao máximo as fontes de luz, os aquários não devem possuir tampas de vidro. Para que isso seja possível, não deverão existir bolhas de ar na superfície do aquário, pois estouram e jogam água (e sal) para fora do aquário e nas lâmpadas.
2) Ligue as lâmpadas principais (HQI, T5) a um timer e as luzes actínicas a outro timer. Ligue as actínicas cerca de uma hora antes das demais. Deixe as lâmpadas principais acesas de 8 a 10 horas por dia e as actínicas de 10 a 12 horas. O objetivo é dar a impressão de amanhecer e anoitecer.
3) As lâmpadas HQI´s devem ser trocadas assim que o tempo de vida útil seja ultrapassado.
4) As lâmpadas devem ser limpas a cada 2 semanas, para evitar que acúmulo de sujeira possam impedir - ou filtrar - a luz.
6) As lâmpadas precisam de reator. Os reatores comuns aquecem bastante. Se possível, instale os reatores longe da superfície da água, de preferência fora da tampa do móvel.
7) Não economize na iluminação.
8) Leia muito, converse com outros aquaristas.
9) Ao trocar as lâmpadas, elas emitirão mais radiação que antes poderão não estar mais acostumados. Uma boa dica é filtrar a luz colocando gaze na frente da lâmpada por cerca de 3 dias, retirando depois ou diminuir o fotoperíodo, reduzindo para 30% do tempo de aumento gradativamente em cerca de 1 semana até o fotoperíodo normal.